Se completar uma corrida de aventura em equipe não
é uma tarefa fácil, imagine correr uma prova desse
tipo sozinho! Esse foi o desafio dos atletas que participaram do
REEBOK GAIA SOLO RACES que trouxe para o Brasil um novo conceito
em corrida de aventura – as provas individuais.
Foram aproximadamente 50km de prova, percorrendo as belezas da Ilhabela,
utilizando técnicas de orientação e navegação,
além de canoagem, trekking, mountain bike, costeira e técnicas
verticais. A organização inovou colocando na prova
dois testes de habilidade. O primeiro foi um PC – Posto de Controle,
sub, onde os atletas teriam que mergulhar para encontrá-lo,
mas este foi cancelado porque um vento forte começou a soprar
e o mar ficou muito mexido. O outro foi uma pista de orientação
muito técnica que exigiu conhecimento e raciocínio
dos atletas. Os testes não eram obrigatórios, mas
os atletas que cumprissem a tarefa, ganhavam bônus em tempo.
A expectativa era grande durante o briefing no sábado.
O atleta Monclair Camarota (Oskalunga) deu uma palestra com várias
dicas de estratégia e planejamento em corridas de aventura.
Para acalmar os ânimos um belo jantar com música
ao vivo no Max Paladar. Inaugurado em 1959, foi o primeiro restaurante
da Ilhabela. Difícil foi ir embora de lá, mas uma
boa noite de sono era imprescindível para todos.
“A GAIA vai ser importante para cada atleta se conhecer mais,
porque não tem equipe, é você com você
mesma!”, disse a atleta Eleonora (Nora) Audrá, da equipe
Atenah Clight Salomon. Nora acredita que esse tipo de corrida
vai fazer com que cada atleta se torne mais equilibrado e preparado
para uma corrida de aventura.
“Agora é cada um com a sua própria competência.
Nessa prova vou focar bastante na parte da navegação,
que não é o meu forte, estou sentindo até
um frio na barriga, sensação que não tenho
em outras provas”, declarou Monclair, da equipe Oskalunga, primeira
colocada no RBCA - Ranking Brasileiro de Corridas de Aventura.
Alguns atletas participaram da prova tendo que competir contra
seus próprios parceiros de equipe. Esse foi o caso de Luck
Carvalho e Ednaldo Passos, ambos da equipe Aroak vindos de Manaus.
“Nós temos uma equipe boa, mas o objetivo na GAIA é
nos testar, ver a capacidade de cada um” comenta Luck. Para Ednaldo,
vencer será apenas uma conseqüência, pois a
experiência que se adquire em uma prova com essas características
é muito grande.
FOI DADA A LARGADA!
As 9:45hs da manhã de domingo os atletas largaram do centro
de Ilhabela. Partiram correndo e depois saltaram do pier para
pegar os caiaques no mar. Durante os primeiros PC’s a liderança
se alternou constantemente e ainda não tinha como definir
os primeiros colocados.
Depois de muito esforço no remo, na bike e no treeking,
os atletas foram privilegiados com o belíssimo visual da
Cachoeira dos 3 Tombos, onde aconteceu o rapel. A partir desse
trecho a atleta Nora liderou boa parte da prova, e considerada
uma das favoritas ao podium, demonstrou muita garra, força
e vontade de vencer.
Outra surpresa no PC 20, localizado no Ecopoint, um dos pontos
mais altos da ilha. Um arvorismo cheio de obstáculos que
bonificava os atletas que quisessem cumpri-lo, em 20 minutos de
bônus.
Monclair e Nora lideraram praticamente toda a prova, mas se perderam
a poucos quilômetros da chegada, dando espaço para
um atleta local, o campeão de Downhill Alcides de Sousa
Cruz Filho, mais conhecido como Juninho, que assumiu a liderança
e não poupou esforços para conquistar a vitória.
“Como eu nasci aqui conheço bem a região, então
consegui passar o pessoal que se perdeu na navegação.”
Juninho também contou que entre o PC 15 e 16, os outros
atletas fizeram uma trilha muito longa, e ele aproveitou esse
tempo para pegar uma mais curta que já conhecia. Com 7
horas e 42 minutos de prova, Juninho foi o primeiro a cruzar a
linha de chegada , que ao descontar todos os bônus ficou
com o tempo reduzido a 6 horas e 2 minutos.
Eleonora Audrá foi a primeira competidora feminina a chegar,
mas não pôde se consagrar campeã por não
ter cumprido a parte da pista de orientação (este
trecho não era obrigatório, porém ela deixou
de ganhar 1 hora e 20 minutos de bônus). Desta forma, com
6 horas e 37 minutos de prova (descontando o bônus da orientação
e do arvorismo), Tessa Roorda foi a campeã da categoria
feminina.
“Essa prova foi bem dura, acho que o André resolveu nos
mostrar todos os mirantes da ilha.”, disse Tessa. Para a atleta,
essa foi uma prova que exigiu muita força, mas o visual
da ilha e a estrutura da competição fez com que
todo o esforço fosse válido.
André Iervolino, feliz com o sucesso da prova, declarou:
“A prova se estendeu um pouco mais do que o planejado e os atletas
comentaram que foi um pouco dura e exigiu muita técnica
e força. Mas o resultado está aí, na satisfação
dos atletas que terminaram a prova e também dos que não
conseguiram completar, mas tentaram”.
A REEBOK GAIA SOLO RACES chegou para acrescentar e mudar o cenário
de corridas de aventura no Brasil e aguardem, para o próximo
ano, um circuito de muita beleza natural, muitas estratégias
e considerável nível técnico, afirmou Karina
Oliani que diz já estarem montando os próximos percursos
para 2006.